quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dor, revolta e protesto no enterro de João Roberto

Dor, revolta e protesto no enterro de João Roberto

Foi enterrado, na tarde desta terça-feira, no Rio de Janeiro, o corpo de João Roberto Soares, o menino de 3 anos morto por policiais militares.

As imagens das câmeras do circuito interno de TV de um prédio próximo ao local do tiroteio registraram o momento em que o carro em que João Roberto estava com a família foi baleado. O carro em que estavam Alessandra Soares e os dois filhos pára. Logo atrás vem a viatura da polícia.

Os policiais militares saem da patrulha. Um deles ainda se aproxima do carro da família. Mas, nessa hora, o outro policial já começa a atirar. O primeiro policial militar também faz disparos. Alessandra ainda abre a porta e joga uma bolsa, em uma tentativa de mostrar que havia crianças no carro.

Uma testemunha viu tudo. “Saltaram os dois policiais. Um ficou agachado, em linha de tiro, atirando no carro dessa senhora. Logo depois, ela saiu do carro, gritando: ‘Meu filho, meu filho...’”, contou a testemunha, que prefere não se identificar.

Os policiais perseguiam outro carro, com bandidos em fuga. Um veículo parecido foi recuperado pela polícia. O delegado Walter Alves Oliveira, que investiga o caso, indiciou os policiais militares por homicídio doloso qualificado, quando há a intenção de matar e sem dar chance de defesa para a vítima.

“Eu analisei o depoimento dos policiais e as fitas que foram apreendidas no local, e vi total contradição entre o que eles disseram e o que continha na fita”, afirmou o delegado.

A família de João Roberto doou as córneas do menino. À tarde, taxistas, colegas do também taxista Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, fizeram uma carreata de homenagem e protesto, que seguiu até o cemitério. Na capela, só foi permitida a entrada de parentes e amigos. O pai do menino fez um novo desabafo.

“Ninguém tem direito de matar ninguém. O estado não tem carta branca para matar ninguém. Aqui, não tem pena de morte. É por isso que a gente tem as leis: é para as pessoas serem presas, processadas”, disse Paulo Roberto.

O velório foi marcado por muita emoção. A avó do menino desmaiou e teve que ser carregada. A mãe também precisou ser amparada o tempo inteiro.

O pequeno João Roberto foi enterrado com a fantasia do Homem-Aranha, super-herói preferido dele e que seria o tema da festa de aniversário de 4 anos que já estava programada para o final do mês de junho.

Centenas de pessoas acompanharam o cortejo. Na hora do sepultamento do filho de 3 anos, Paulo Roberto juntou forças para a despedida: “Eu nunca vou te esquecer, meu filho. Você não merecia isso, você não merecia isso.”

Um comentário:

Vlademir Assis disse...

Realmente dói, penso nas minhas crianças...

Talvez isso seja reflexo dos péssimos salários e da falta de treinamento dos PMs do Rio Janeiro, o que se estende país afora, como vimos o Comandante Geral suspendeu os cursos para colocar o povo nas ruas, o resultado está ai...