terça-feira, 12 de agosto de 2008

O Pesadelo de um louco - Por Capitão Almeida


O Pesadelo de um louco – Por Rogério Ribeiro de Almeida, Capitão da Policia Militar de Pernambuco, com muito orgulho.

Essa semana dormindo, tive o seguinte pesadelo: “A polícia Militar estava sendo atacada e destruída, a discórdia fora plantada e não havia mais confiança nem amizade. Após duas paralisações, estava um inferno, na última vândalos e marginais foram impedidos de saquear, roubar e matar por tropas leais, causando assim, indignação nos revoltosos oprimidos, que entendiam ser a violência o meio mais rápido para conseguir seus anseios. Passados oito anos, percebeu-se que a lealdade não traz benesses para todos, só para alguns, que cumprem de forma ordeira os desejos de quem não tem compromisso com a instituição.

Estava assim formado o impasse, os que oito anos atrás eram leais ao exército inimigo pensaram em rebelar-se, mas logo desistiram, pois diferente de 11(onze) anos atrás o número de traidores cresceu muito. Restou então, a opção de reclamar pelo corredores, usar o JUZ ESPERNIENDE (direito de espernear). Contudo surgiu uma idéia, um oficial leu a Arte da Guerra do General Chinês (Sun Tzu) e lá encontrou no Cap. XIII(Da arte de semear a discórdia): “ Se os oficiais inimigos estão em constante desacordo; se desconfianças mútuas, inveja, interesses pessoais os mantêm divididos, poderás facilmente cooptar uma parte deles, pois, por mais virtuosos e mais devotados a seus soberanos, a promessa de vingança, de riquezas ou de postos eminentes bastará para atiçar-lhes a cobiça. E quando esta estiver acesa em seus corações, tudo farão para satisfazê-la”.

Pensou o Oficial em usar tal tática para vencer as forças ocultas, mas estas já tinham tomado tal atitude, devidamente complementadas com as idéias de Maquiavel,então ele voltou a ler o livro tentando achar uma solução e ao final ficou triste, apesar de encontrar toda a receita para reverter a situação, que era: bravamente ter uma atitude de Líder, assumir o controle dos seus combatentes, encontrar o inimigo oculto e marchar contra ele. Quando lembrou: não há general na Polícia Militar como no exército Chinês! e assim continuou na sua covardia”.

Neste momento acordei do Pesadelo e fui à cozinha, tomei um copo d’água e passei a pensar: estudei 03 (três) anos na Academia Militar do Paudalho e ouvi nos idos de 1989 a 1991 que seríamos comandantes e líderes, exemplos de ética, bons costumes, lealdade aos nossos superiores pares e subordinados, lembrei dos meus heróis: Ten cel Siqueira (instrutor IED ), Maj Vitório, Maj Weldon (ex Comandante Geral), Cap Carvalho(ex Comandante Geral), Cap Fonseca, Cap Elisio, Cap Bersa, Ten Milton, Ten Luis (Cmt Choque), Ten Shostenes,( meu companheiro de CPOR), Ten Vareda, Ten Tenório entre tantos outros que os quarenta e dois anos me causam esquecimento, e não tive outra escolha chorei, pois o tempo não volta. Pensei nos tiroteios que enfrentei, nos dois processos que respondi na auditoria militar, nas madrugadas que passei nos morros do Ibura, no agreste (Belo Jardim e Pesqueira), na caatinga de Petrolina e região, no bairro do Coque, na Mata Sul e por último no morro Bom Jesus em Caruaru, atrás de traficantes de droga, marginais e toda sorte de bandidos, enquanto meus filhos dormiam, lembrei dos Policias que vi mortos em combate, com suas esposas e filhos chorando ao lado do corpo jazido; como é o caso do soldado Pereira, morto na cidade de Quipapá no ano de 2005, espancado, torturado e mutilado por integrantes do MST, entre outras centenas de heróis mortos em nos nossos briosos 183 (cento e oitenta e três anos). Nossa Instituição é presente em todas as cidades de nosso Estado, atuando em Hospitais, escolas, presídios sempre pronta para atender a sociedade mesmo quando não é aquela sua missão; mas que tem sido tristemente vilipendiada por estrangeiros.

Lembrei dos meus colegas de turma e contemporâneos que ainda jovens diziam que mudariam a Polícia Militar acabando com os abusos e tornando-a mais célere e competente; e também lembrei do meu primeiro comandante no 6º BPM, Ten Cel Nunes, que muito o respeito, dizia: “você casou com a polícia, vai viver integralmente para ela”.

Estamos num momento ímpar, observamos prováveis Policiais escrevendo para o Blog do Jamildo vários comentários, parecem guerrilheiros do ano de 1964, usando pseudônimos como: Gangazumba, Gangazumbinha e outros mais, isto me lembrou a Ditadura Militar que perseguiu tantos naquele ano, inclusive levando alguns ao exílio.

Resolvi então fazer alguns pedidos e lembretes: Aos meus amigos que estão na Casa Militar, digo que ainda os respeito muito, mas pensem como farão parte da História; aos meus antigos heróis de Academia, digo que estou com saudades; ao Exmo Deputado Feitosa, que canja de galinha e vergonha na cara fazem bem a saúde; aos oportunistas e Políticos da ‘Força Única’, que não sou mais menino; aos meus superiores, que leiam a Arte da Guerra.

Um comentário:

José Mário Major disse...

COMENTÁRIOS
Pois é meu amigo Almeida, a realidade que vivemos hoje parece mais um pesadelo. Lembro bem de como as pessoas mudam quando trocam de lugar, seja governo, seja associação, seja Assembléia, seja Casa Militar... Complemento apenas que ainda podemos agir, ainda podemos dar nossa parcela de contribuição, seja trabalhando dentro da ética e dos nossos preceitos legais, mas também identificando aqueles que são e sempre serão traidores, covardes e aproveitadores, além de omissos e mentirosos. É bom saber que o amigo ainda está sonhando, mesmo acordado e na forma de pesadelos, e que enquanto sonhamos, podemos mudar as coisas, a partir do nosso ambiente de trabalho, até alcançarmos a instituição por completo. Sua indignação não é única, e enquanto ela existir em todos nós, a mística de sermos Policiais Militares nos ajudará a fazermos a diferença. Fico triste quando vejo praças destilando palavras de menosprezo para com seus oficiais, quando vejo oficiais “fazendo o feijão com arroz” ao longo de anos e depois posam de operacionais, de bons gestores, enfim, enganam-se quem acha que engana. Forte abraço meu amigo, continue seu trabalho, sua missão, não perca seu sono pelo descompromisso dos outros, honre sua farda todo dia e toda noite, agradeço a Deus pelos seus filhos terem saúde e você ter condições mínimas de criá-los com dignidade, o resto, bom, o resto agente joga fora.